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BIG 2015 Review
Victor e Ian

Aconteceu mais uma edição do BIG ‒ Brazil’s Independent Games Festival, evento realizado pela ABRA Games ‒ Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais. Trata-se do quarto maior evento de jogos indie (jogos eletrônicos independentes) do mundo e dessa vez com profissinais do mundo todo em atividades no Rio e em São Paulo.

Mesmo sendo um ótimo evento, ficamos, assim como muitos outros desenvolvedores, curiosos para entender como um evento que, segundo o diretor geral da Associação Brasileira de Desenvolvedores de Games, visa defender o desenvolvimento local, abre as portas para empresas estrangeiras competirem. Apenas cinco dos 30 finalistas foram jogos brasileiros.

 

Estamos atrás da Europa e dos Estados Unidos em termos de criação, não de formação. Não temos grandes publishers nem muita atenção por parte do governo; até para sermos tributados, os jogos não recebem uma classificação sólida. Apesar dos profissionais apaixonados e esforçados, ainda não temos muitos casos de sucesso, pois começamos atrasados e temos pouquíssimos incentivos, especialmente os fiscais. Parece que a indústria nacional de games nunca vai sair desse “engatinhamento”.

 

Antonio Marcelo, da Riachuelo Games, um dos veteranos da indústria carioca, menciona a necessidade de eventos que foquem em expor a produção brasileira . O foco do BIG, segundo o diretor da Abra, Alê McHaddo, é revelar talentos brasileiros, objetivo que se mantêm há anos de forma geral nessa indústria. Eles existem, e técnicos brasileiros podem ser encontrados em empresas como a Blizzard e a Ubisoft, estrangeiras. Devemos então ressaltar os nossos desenvolvedores e seus jogos para os brasileiros, que não costumam comprar jogos indie por desconhecê-los.

 

O Brasil é o quarto maior mercado segundo de jogos eletrônicos, o próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, que  infelizmente cortou a verba para algumas ações na área recentemente. Não é possível que não consigamos ficar ao nível da produção independente de outros países, até porque os jogos eletrônicos produzidos aqui podem ser uma das saídas para a crise econômica brasileira.

 

O Brasil, contudo, não está totalmente parado em termos de jogos eletrônicos. Existem brilhantes iniciativas, programas e eventos não predatórios que auxiliam tanto as instituições que os criam como a indústria de games como um todo. O BIG se encaixaria nesse brilhantismo se não tivesse sido feito por uma associação que mais parece querer se afirmar como a criadora do Cannes brasileiro de jogos do que de fato focar nas necessidades da classe que ela representa.

Um dos grandes ganhadores, o jogo This war of mine, é um titulo maravilhoso, muito bom e que já vendeu milhares de cópias e ganhou três prêmios; lançado em novembro de 2014, além de ter sido aprovado em 95% das mais de 10 mil críticas que recebeu na maior plataforma digital de vendas do mundo, a Steam. Trazê-lo para participar da competição do BIG é como botar um gigante contra formigas; sem surpresas, ganhou o prêmio de melhor jogo no recente julho de 2015. Isso não é exatamente justo ou fomentador.

 

Os desenvolvedores brasileiros têm muito a aprender com esses casos de sucesso, obviamente. Erick Najjar, da Kimeric Labs, concorda com isso e ressalta a visibilidade que um evento como esse propicia a seus participantes.

A brasileira Kimeric Labs lança agora, dia 20 de julho, seu novo jogo, Satellite Rush, no site Kickstarter. Estabelecer contato com uma empresa que já experimentou o sucesso traz um ótimo apoio no aperfeiçoamento de um projeto indie. Contudo, esse tipo de relacionamento poderia ser criado por meio de mesas-redondas dinâmicas que de fato investissem na troca de informação entre desenvolvedores brasileiros e estrangeiros. A própria questão da competição no BIG poderia ter sido dividida de acordo com o tamanho da empresa indie, assim como é feito nas competições de luta ou de e-sport, que é por ranking.

 

O BIG é um grande evento de características muito positivas, mas cabe a nós, desenvolvedores de jogos, nos perguntarmos o que pode ser feito para realmente divulgar nossos trabalhos e nos pôr em contato direto com o consumidor.

Falta ainda um evento específico para ressaltar os desenvolvedores e demais envolvidos na indústria de games brasileira, incluindo, e-atletas, críticos e youtubers, entre outros. Um cuja função seja aproximar o desenvolvedor do consumidor e dos formadores de opinião, quebrar barreiras, ligar pontos e descortinar o que produzimos. Precisamos de um evento realmente interativo que mostre que o quarto maior mercado de games do mundo também produz o que consome.