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Por que você tem mais chance de ser um famoso jogador de vídeo game do que de futebol?



Em 2019, Kyle Giersdorf, um jogador de Fortnite de 16 anos, mais conhecido como Bugha, ganhou o torneio mundial do Game, levando 3 milhões de dólares para casa. No mesmo ano, o jogador profissional de golfe Tiger Woods, faturou 2 milhões de dólares ao vencer o mais celebrado torneio do mundo, o Masters. Curiosidade: Tiger Woods é um gamer e admitiu jogar Call of Duty 8 horas por dia em 2016, enquanto se recuperava de uma cirurgia nas costas.


A diferença de 1 milhão de dólares entre os prêmios dos dois atletas não é o que chama mais atenção, e sim o tempo que cada um se dedicou até 2019. Enquanto Tiger Woods teve mais de 20 anos de carreira, com anos de treino e dedicação, além de inúmeras lesões e cirurgias; Kyle teve no máximo 2 anos para se preparar, pois o jogo Fortnite foi lançado em 2017.


Longe de querer comparar os esportes, a intenção deste artigo é explicar o motivo do esporte eletrônico ser mais fácil de começar e se desenvolver profissionalmente. Para isso, basta comparar o início de carreira de um jogador de futebol com um jogador de games.


O jogador de futebol precisa iniciar seu treinamento em alguma escolinha, e depois de alguns anos jogando e se destacando, ele precisa se federar - jogar em algum clube. Além dos custos de manutenção desse esporte (chuteira, roupa, fidelidade ao clube etc.) - há o custo de mobilização. Não é como se houvesse clubes de futebol em qualquer quadra. Após mais alguns anos jogando e se destacando, esse jogador talvez entre no sub 20. É importante registrar a pressão do esporte para que o atleta se destaque antes de “passar” da idade.


Em determinado momento, esse jogador finalmente vai se tornar um profissional, jogando em um dos times principais. Caso ele queira avançar por conta própria na carreira, promovendo amistosos entre amigos conhecidos, ele precisaria organizar e providenciar uma quadra, mobilizar o time dele e do adversário, torcida, equipe de filmagem, iluminação, divulgação dessa partida e patrocinadores (que só se interessariam se considerassem que, de fato, teria repercussão). Já dá para ter uma ideia do esforço monumental dessa jornada, sem qualquer garantia de retorno...


E como fica o jovem gamer que pretende ser e-atleta? Ele joga por hobby, duas horas por dia. Assiste os e-atletas preferidos dele em outras duas horas. Quatro horas por dia de imersão nesse jogo que ele pretende jogar profissionalmente. Após alguns meses ele consegue um ranque alto no game, sem precisar sair de casa, sem lesões, assinar qualquer contrato, e sem pagar qualquer valor de manutenção. Agora ele pode criar um canal no YouTube e outro na Twitch (plataforma de streaming de jogo), e basta apertar um único botão para transmitir. Pronto, as plataformas se encarregam de anúncios e geração de renda, caso ele consiga seguidores.


Um e-atleta pode transmitir ao vivo todos os seus treinos, e ser remunerado por isso. Quantos atletas de esportes físicos você conhece pelo nome? Aposto que, independentemente do esporte, eles foram exceções de sucesso dentre a maioria dos atletas.


No final do dia, o e-Sport é definitivamente o mais democrático e inclusivo dos esportes. Uma jogadora de 13 anos pode competir com um jogador de 20. É um esporte mental, assim como o xadrez, porém, a diferença é que um possui prêmios milionários e visibilidade cada vez maior.

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